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Tomar Nota
«No aprazível fim de tarde do passado dia 6 de Maio, na Sala Ogival da ViniPortugal, ao Terreiro do Paço, foram apresentados três novos vinhos, de uma nova marca, de um novo produtor engarrafador. A saber: o branco, o rosado e o tinto "Encosta do Sobral" de 2002, produzidos e engarrafados por Encosta do Sobral Sociedade Agricola Lda., em Outeiro, freguesia da Serra, concelho de Tomar.
Na família do proprietário sempre se fez vinho, pouco mais que para consumo interno e vicinal. Nos finais da década de 90, Carlos Sereno, eng.º civil de profissão, enófilo, amante de antiguidades e de cavalos por afeição, resolveu dar um grande salto. Verdadeiramente ciclópico-burocrático deve ter sido o trabalho, numa região de micro-propriedade, de encontrar os donos, adquirir 240 artigos matriciais e fazer as escrituras que lhe permitiram agrupar 70 hectares. Plantadas nas encostas pertencentes às freguesias da Junceira e da Serra, em terrenos xistosos, estão as castas brancas Fernão Pires, Arinto Malvasia Fina e Chardonnay, e as tintas Aragonês, Camarate, Castelão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Trincadeira Preta, Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot. Foi construída uma adega nova, equipada com a mais moderna tecnologia, no lugar do Outeiro. Através de um protocolo, foi conseguido o apoio técnico do Instituto Superior de Agronomia para o sector vitícola. A parte vinícola foi confiada à proficiência do enólogo João Melícias. Dada a extrema juventude das vinhas, a quantidade produzida ainda é pequena, longe da que a empresa pensa poder alcançar no futuro.
O que mais convenceu dos três foi o ENCOSTA DO SOBRAL, Vinho Regional Ribatejo, branco, 2002. Elaborado com as castas Fernão Pires (50%), Arinto (40%) e Malvasia Fina (10%), vinificou de bica aberta, em inox, com controlo de temperatura de fermentação (15ºC - 16ºC). Um décimo do vinho estagiou em barricas de carvalho americano e francês durante 2 meses. Foram envasilhados 5500 garrafas. A minha na loja Napoleão (Rua dos Fanqueiros, 70) custou 5,48€.
Com 13º de grau alcoólico, mostrou cor dourado esmaecido, aroma frutado sem que a percepção a madeira se sobreponha, sabor em que uma boa acidez lhe mantém a frescura e persistência, agradável e delicado. É de Tomar e há que tomar nota dele (e do mano tinto) no presente e no futuro.»
Revista Única - Expresso, 18 de Setembro de 2004, página 89