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Sem Medo do Futuro
«A Encosta do Sobral redefiniu estratégias. Elevou a fasquia. Pretende cimentar a sua posição em Portugal e no estrangeiro, com um vinho de personalidade forte.
Em Tomar, na freguesia da Serra, no lugar do Outeiro, são produzidos os vinhos "Encosta do Sobral", em terrenos xistosos e sob um microclima peculiar. A propriedade de Carlos Sereno situa-se no Ribatejo Norte e quase toca nas Beiras. O enólogo da casa - João Melícias - diz com humor que "é um pedaço de Douro no Ribatejo". O terroir tem algumas semelhanças...
Esta casa orgulha-se de um passado rico na cultura do vinho, que persistiu ao longo de gerações. Carlos Sereno, com formação em engenharia civil, assumiu a liderança da marca e, a partir de 1990, procedeu a uma reestruturação das vinhas, dotando-as de uma dimensão superior a 70 hectares. Construiu uma adega nova, preparada com novas tecnologias, para enfrentar o futuro. A aposta foi ambiciosa e os frutos começaram a ser colhidos. Deu-se primazia aos tintos, (...) em detrimento dos brancos. (...) Esta opção pelos tintos deve-se às exigências do mercado internacional. Segundo Carlos Sereno, "é mais fácil introduzir nos mercados mundiais os tintos", apesar de se começar a verificar "uma maior aceitação dos brancos por parte dos consumidores portugueses". Os brancos de alta qualidade feitos através das novas tecnologias e fermentações, "têm todas as potencialidades para chegar tão longe como os tintos", defende, à Beberes.
A estratégia adoptada permitirá atingir resultados ainda mais visíveis dentro de três anos, altura em que será atingida a produção máxima. A partir de 2007, deverá ser lançado no mercado, por ano, meio milhão de garrafas de alta qualidade. Neste momento, esse número situa-se nos 90 mil. A Encosta do Sobral, que celebrou um protocolo com o Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, no sentido de usufruir de apoio e de um acompanhamento tecnológico, dá os primeiros passos no circuito mundial. Carlos Sereno tem noção de que os planos terão de ser bem estruturados. "Estamos a apostar em todos os mercados internacionais, já que temos uma quantidade de garrafas significativa. O negócio interno não absorveria toda esta produção, pelo que 80% terá de chegar ao exterior. Estamos a tentar entrar na América, na Inglaterra, no Canadá e na Holanda", explica.
Para conquistar novos mercados esta casa terá como trunfo a qualidade. Todavia, há obstáculos por derrubar. Carlos Sereno lamenta a "falta de apoios" na divulgação dos vinhos nacionais talentosos. "Não temos qualquer estrutura montada. Se um produtor quiser lançar-se no estrangeiro, terá de fazê-lo individualmente, sem qualquer tipo de suporte do Poder Central. Se formos a Espanha, isso já não acontece...Os apoios governamentais são uma realidade. O Estado tinha obrigação, no mínimo, divulgar todos os vinhos, por zonas, além fronteiras. Depois deveria fazer uma grande restrição entre os vinhos a granel e os que são colocados no mercado pelos armazenistas, que fazem o que querem...Aqueles que são regulamentados acabem por ficar em desvantagem ", sustenta.
A área comercial desta casa está a cargo de João Boavida, que aclara as estratégias de marketing: "Seremos os responsáveis pela comercialização na área de Lisboa e vamos incidir em bons restaurantes, hotéis e garrafeiras, não estando no horizonte as grandes superfícies. Achamos que o nosso vinho possui uma qualidade acima da média, mas os preços por força do mercado e de toda uma conjuntura negativa, tem de estar abaixo daquilo que é a qualidade do nosso produto."
A nível comercial no estrangeiro, a recente participação na Expovinis, no Porto, "foi positiva" para a Encosta do Sobral uma vez que permitiu abrir portas e alargar horizontes."Agora a nossa principal preocupação é abrir mercados no exterior, através de parceiros comerciais" adianta João Boavida.
Relativamente aos vinhos produzidos, há marcas de referência, que é o Encosta do Sobral branco, rose e tinto, de 2002. "Com a colheita de 2003, iremos apresentar produtos com uma qualidade acima da média. Alguns deverão mesmo merecer a denominação de ‘Reserva' ou ‘Garrafeira'", assegura João Boavida. O futuro promete.»
Revista Beberes, Junho de 2004, páginas 8 e 9