Geral
O “Enólogo do Ano” mostra as novidades – Os vinhos de João Melícias
«Uma mão cheia de vinhos novos, da autoria de João Melícias, estiveram em amostra dilatada na sua residência estremenha. Não só foram muitos como bons e tanto prometem dar que falar como de beber.
Fim de Junho, um dia solarengo após as intensas e turbulentas chuvadas que regaram copiosamente, por vezes com avultados prejuízos, as vinhas nacionais. Em S. Domingos de Carmões, povoação próxima de Alenquer, o enólogo João Melícias, juntamente com os seus "braços direitos" Jorge Páscoa e Alexandra Mendes, aguardava na sua bonita casa de família a chegada dos convidados chamados a conhecer as novidades vínicas sob a responsabilidade da equipe.
Curriculum Invejável
João Melícias é um enólogo da "velha guarda". Iniciou-se na profissão pela mão e orientação de Manuel Vieira (pai), um dos enólogos do pós-guerra, que deixaram marca na vitivinicultura nacional. Formou, enquanto professor no ISA muitos dos enólogos que hoje assinam grandes vinhos portugueses. A sua primeira consultoria enológica foi por terras alentejanas e talvez por isso, ainda é aqui que concentra a sua actividade. A ele o vinho Alentejano deve o surgimento de marcas que há muito nos mimam com qualidade, algumas delas nascidas em áreas consideradas, do ponto de vista climático, difíceis; a região Estremadura deve-lhe também o divórcio com o granel e o ingresso no caminho da alta qualidade e o Algarve, a certeza de que João Melícias deixou de ser uma província exclusivamente dedicada ao turismo.
Prova Maratona
Os convidados para a efeméride incluíam jornalistas, enólogos, viticólogos, distribuidores, proprietários de restaurantes assim como todos os produtores em que João Melícias é consultor. Nada mais, nada menos do que catorze, vindos das regiões da Estremadura, Ribatejo, Alentejo e Algarve. Cada um levava consigo 2 a 4 vinhos das suas novidades para mostrar aos potenciais interessados. A prova decorreu na antiga e impecavelmente recuperada adega tradicional da casa de João Melícias, onde os produtores se encontravam dispersos por duas dependências atendendo e falando, em "stand" próprio, com quem queria conhecê-los.(...) Foi uma prova longa que deu para perceber não só o estilo procurado pelo enólogo como também a qualidade cada vez mais apurada dos vinhos de João Melícias (...).»
Revista de Vinhos, João Afonso e Ricardo Palma Veiga, Agosto de 2006, páginas 110 a 112