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Encosta do Sobral – O renascer dos vinhos de Tomar
«Acabam de ser apresentados ao público os vinhos de um novo produtor da região de Tomar, Encosta do Sobral. De há muito que os enófilos não tinham novidades desta zona do norte ribatejano.
Carlos Sereno, é engenheiro ligado à actividade da construção civil, mas também, por gosto pessoal, às antiguidades e à criação de cavalos de raça lusitana. O gosto do vinho veio desde a infância, uma vez que toda a zona que corresponde às freguesias da Serra de Tomar e Junceira, conheceu sempre a pequena produção de vinho, essencialmente branco da casta Fernão Pires, para auto-consumo. A região é de minifúndio e Carlos Sereno, para conseguir uma área de vinho significativa, teve de fazer mais de duzentas escrituras de aquisição de parcelas e pequenos lavradores locais. A área de vinha atinge agora uma superfície superior a 70 hectares e os solos são xistosos e pobres, fazendo lembrar os terrenos dos Douro. As instalações de vinificação foram totalmente feitas de raiz com moderno equipamento e a cave de estágio de barricas tem capacidade para albergar centenas de cascos para brancos e tintos. Nos encepamentos optou-se por um compromisso entre a tradição e a moda. Foi-se buscar nos brancos, O Fernão Pires e o Arinto e juntou-se-lhe a Malvasia Fina e o Chardonnay. Nos tintos pontificam-se o Aragonês, Castelão Camarate, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tricadeira, acrescidas de Syrah e Cabernet Sauvignon. Para acompanhamento técnico tomaram-se duas opções: a viticultura tem o apoio do Instituto Superior de Agronomia, por via de um protocolo de cooperação assinado e na enologia os comandos da adega foram confiados a João Melícias, figura de destaque entre os enólogos portugueses. Os vinhos estão para já disponíveis em algumas garrafeiras, mas à medida que a produção de vinha aumentar (o que se vai verificar de ano para ano) a distribuição será mais alargada.»
Revista de Vinhos, João Paulo Martins, Junho de 2004, páginas 136 e 137