Viticultura
Encosta do Sobral: o futuro já começou
«Quando iniciamos a subida para o Outeiro da Serra de Tomar, em direcção à Encosta do Sobral, nada nos prepara para o que aí encontraremos. Trilhando caminhos por entre eucaliptos, com a indispensável ajuda de quem conhece o local, aparece-nos no final da jornada, deslumbrante, um tesouro oculto.
Projectos desta natureza nascem da paixão de homens e mulheres de iniciativa, descendentes de famílias ligadas ao sector agrícola, que não esquecem o apego à terra e mais cedo ou mais tarde regressam às suas raízes decididos a investir num ramo com o qual sentem uma atracção profunda. Carlos Sereno é um destes casos de regresso às origens.(...) A crise que atinge o sector deixa o produtor de 55 anos apreensivo mas ainda confiante no futuro de um projecto iniciado há quatro anos e que representa um investimento de várias centenas de milhares de euros. Em resultado de um emparcelamento bem sucedido, o maior existente na região do Ribatejo, a Encosta do Sobral atinge hoje uma dimensão de 75 hectares, esperando em plena produção chegar às 500.000 garrafas.(...) Com a ajuda do Eng.º Melícias Duarte, Carlos Sereno iniciou nos finais da década de 1990 um processo de emparcelamento que foi acompanhado por uma plantação de vinha que atingiu uma média de 15 hectares por ano. Não se tratou de uma expansão fácil relembra o produtor: "Nós estamos localizados numa zona em que as propriedades são muitíssimo pequenas. Tivemos que esperar pela rectificação do Plano Director Municipal para podermos expandirmo-nos". Este redimensionamento vai permitir, como adianta Carlos Sereno "uma nova cave com 1800m² de área, um edifício de apoio social e uma nova adega". Estes novos equipamentos são acima de tudo uma necessidade, afirma, "porque daqui a dois anos já não teremos capacidade de armazenamento nem de vinificação". Ao mesmo tempo a Encosta do Sobral procura rentabilizar as suas instalações apostando no enoturismo, disponibilizando-se para receber eventos organizados por terceiros.(...) »
Revista Néctar, J. E. Aparício e Manuel Poças, Julho de 2005, páginas 53 a 60